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As campanhas de IA que resultam começaram com uma ideia humana

As campanhas de IA que resultam começaram com uma ideia humana

A IA permite publicar em todo o lado, depressa. As campanhas que realmente resultaram tinham sempre a mesma coisa a conduzir essa velocidade: uma ideia real.

74,2%

das páginas web recém-publicadas já incluem conteúdo gerado por IA, a escala já é a base (Ahrefs, 2025)

0,011

correlação entre a percentagem de IA numa página e a sua posição no Google, praticamente nula nos dois sentidos (Ahrefs, 2025)

25%

queda prevista no volume de pesquisa tradicional até 2026, o que obriga as marcas a aparecer em mais sítios, com mais frequência (Gartner, 2024)

A escala deixou de ser opcional. Também deixou de ser o diferencial

Produzir conteúdo ao ritmo que os canais atuais requerem costumava exigir uma equipa maior do que a maioria das empresas conseguia justificar. A IA generativa eliminou essa necessidade: um primeiro rascunho, uma dúzia de variantes de formato, uma versão traduzida, tudo no tempo que antes demorava a fazer o briefing de uma única peça. Numa análise da Ahrefs a 900 mil páginas web recém-criadas mostra que 74,2% contém algum conteúdo gerado por IA, mas apenas 2,5% são escritas por IA sem qualquer edição humana (Ahrefs, 2025). Produzir mais, mais depressa, em mais canais, é uma das necessidades de uso da IA e é exatamente o que a maioria das marcas necessita para acompanhar o que um calendário atual exige.

A contrapartida é que qualquer concorrente tem acesso à mesma ferramenta, o que significa que a escala por si só deixa de ser o que distingue uma marca. A Ahrefs analisou 600 mil páginas e encontrou uma correlação de 0,011 entre a percentagem de IA numa página e a sua posição no Google, praticamente nenhuma relação nos dois sentidos (Ahrefs, 2025). Usar IA para produzir mais não prejudica, mas também não ajuda sem uma estratégia pensada.

A audiência já não está à espera num único lugar

A Gartner previu em 2024 que o volume de pesquisa tradicional cairia 25% até 2026, à medida que os chatbots de IA e agentes virtuais absorvem consultas que antes chegavam a uma página de resultados de pesquisa (Gartner, 2024). O acompanhamento de comportamento real de navegação do Pew Research Center mostra a mesma mudança do lado do leitor: quando uma pesquisa no Google gera um resumo de IA, os utilizadores clicam num resultado tradicional em apenas 8% das visitas, contra 15% quando não há resumo (Pew Research Center, 2025). Nada disto é um argumento para produzir menos. É precisamente o contrário: é um argumento que prova a necessidade de aparecer em mais sítios, com maior consistência, pois a atenção do utilizador dispersa por mais canais do que em uma única página de resultados de pesquisa. É neste contexto que a produção em escala em IA foi pensado, desde que exista uma estratégia e conceito pensados.

As campanhas que o provam, e as que não provam

A necessidade de produção em escala é real e a IA é um dos meios realistas para poder alcançar mais peças, variantes, conteúdos em diferentes idiomas, formatos algo que ultrapassa a capacidade de produção à mão pelas equipas. Ao analisarmos qualquer campanha de IA bem estruturada, concluímos que nenhuma delas começou pela ferramenta, mas sim por uma ideia criativa concreta, decidida por pessoas, que a IA depois executou e escalou.

O caso “A.I. Ketchup” da Heinz é um exemplo claro. A ideia criativa, da agência Rethink Toronto, foi humana e simples: dar ao DALL-E 2 prompts sem marca, como “ketchup”, e ver o que o modelo desenhava, apostando que a garrafa da Heinz estava tão presente na cultura que a IA a desenharia sem ser instruída para isso. Essa aposta, não a ferramenta, foi o que fez a campanha funcionar. A IA gerou as imagens; a ideia que tornou essas imagens interessantes de gerar, e a decisão de construir uma campanha global, uma galeria de arte e garrafas de edição limitada à volta do resultado, foi inteiramente humana. A campanha ganhou um Drum Award e um One Show Pencil, e gerou mais de 850 milhões de impressões em media orgânica em todo o mundo, com uma taxa de envolvimento 38% superior às campanhas anteriores da marca, um valor mais de 25 vezes superior ao investimento em media (The One Club, 2023).

AI campaigns
The campaigns that prove it, and the ones that don't

A “Create Real Magic” da Coca-Cola, desenvolvida com a OpenAI e a Bain & Company, é o mesmo padrão numa escala maior. A marca tem sido explícita ao afirmar que todas as decisões criativas centrais na publicidade gerada por IA seja o brief, narrativa, arco emocional e música são tomadas por equipas criativas humanas, sendo a IA usada apenas para executar e escalar essas decisões, não para as criar (The Coca-Cola Company, 2023). Trinta artistas selecionados foram levados a Atlanta para uma academia criativa precisamente para que fosse uma pessoa, e não um prompt, a decidir o aspeto que os resultados da plataforma deveriam ter antes de chegarem ao público.

AI campaigns that work started with a human idea

Nenhuma das duas campanhas prova que a escala é arriscada. Provam de onde vem realmente o valor da escala: não de ter IA, hoje toda a gente tem, mas de ter algo que realmente valha a pena escalar.

A parte que vale a pena olhar com atenção é o que acontece quando a escala avança sem isso. Ao longo de 2025, J.Crew, Shein e Skechers foram todas publicamente criticadas por anúncios gerados por IA que chegaram ao público com problemas visíveis: um pé dobrado ao contrário e objetos distorcidos numa campanha no Instagram, um motivo numa t-shirt que se assemelhava a um arguido real de um caso criminal, uma figura genérica e mal renderizada num outdoor (eMarketer, 2025). Nenhuma destas marcas escondeu o uso de IA, os erros estavam à vista no anúncio já publicado. A ferramenta não foi a falha em nenhum destes casos. O que faltou foi a revisão de equipas criativas humanas com uma ideia clara do que a peça devia fazer e o resultado antes de ir para o ar.

A questão não deve ser se devemos ou não produzir conteúdo em escala com IA, mas sim quem está a conduzir essa escala e para que ideia a está a produzir. A Heinz e a Coca-Cola definiram offline uma ideia criativa forte e usaram a IA para a executar em todo o lado ao mesmo tempo. A J.Crew, a Shein e a Skechers deixaram a ferramenta correr sem essa camada e revisão estética humana, o que rapidamente foi notório pelo público. Tudo isto com a mesma tecnologia, o mesmo acesso à escala, mas com resultado oposto.

Como escalar conteúdo sem perder o que o faz funcionar

Nada disto é um argumento contra produzir mais. É um argumento a favor de construir o único passo que faz com que produzir mais valha realmente a pena. Uma forma prática de estruturar uma operação de conteúdo à volta da escala com IA:

1. Começar por uma ideia humana e não por um prompt. Decidir o ângulo, argumento ou storytelling antes de usar qualquer ferramenta de IA. Tentar resumir a ideia numa frase sem mencionar a IA é uma prática necessária para definir uma ideia bem estruturada.

2. Deixar a IA escalar, não com a decisão inicial. Depois da ideia definida, a IA é o meio para concretizar formatos, idiomas e variantes sem a descaracterizar essa ideia. A ideia, a voz da marca e a decisão final ficam sempre a cargo da equipa criativa.

3. Interligar tudo de volta à marca, definir o propósito. Um dado próprio, um resultado de cliente, um tom de voz específico associado à marca. Se a IA de um concorrente conseguisse produzir a mesma peça só trocando o nome, poderia significar que a ideia não era original ou sem recurso a uma IA.

4. Revisão antes de publicar. Confirmar o resultado contra a ideia antes de ir para o ar, garantindo que o conteúdo está pronto a ser publicado.

5. Medir o que a ideia produziu, não só quanto foi produzido. Tempo na página, profundidade de leitura, conversões assistidas, o que se ligar a receita. Uma operação em escala compensa quando o resultado tem bom desempenho.

Em resumo

A escala nunca foi o risco. As campanhas de IA que resultaram provam que publicar mais, mais depressa, em mais canais, é exatamente o que o marketing de hoje exige e uma das melhores aplicabilidades da IA. O que separa as campanhas de que as pessoas se lembram das que as marcas preferiam esquecer nunca foi quanto produziram, mas sim a ideia base e se existe uma equipa por trás a defendê-la.

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